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O AUXÍLIO DESCABIDO


O auxílio emergencial, que foi criado como uma tentativa de diminuir as dificuldades financeiras da população de baixa renda durante a pandemia, não abre possibilidades para pagar o aluguel e a alimentação simultaneamente.


Reprodução da ilustração de Nando Motta: “Baixou o app?”



O governo federal pagará uma nova rodada do auxílio emergencial, porém com um valor inferior ao do ano de 2020. A nova quantia, que vigorou em abril de 2021, está disponibilizada no valor entre R$ 150 e R$ 375 a 45,6 milhões de beneficiários. Segundo uma pesquisa realizada em 11 e 12 de maio pelo Datafolha, o novo valor à disposição é considerado insuficiente para 87% dos brasileiros com idade superior a 16 anos.


O novo cenário de pandemia e a negligência à dignidade humana, traz uma rotina de sofrimento àqueles que dependem do auxílio emergencial. Com a perda do trabalho e da renda financeira, muitas pessoas se veem inseridos na realidade de ir morar nas ruas. Ninguém está nessa situação porque quer, mas sim porque há fatores que condicionam essa vivência dura e cruel, tornando-se a única opção para muitos. Assim, o povo não tem perspectivas de mudanças.


Em uma entrevista ao Profissão Repórter, em 19 de maio de 2021, Tainá Rodrigues, de 29 anos, passou a morar na rua com seu marido e filho de 2 anos, por conta do desemprego e da diminuição do auxílio emergencial. “No começo ainda dava para pagar o aluguel, mas o valor foi baixando e não dava mais. A única opção que nós tínhamos era a rua. (...) Antes, com R$ 600, eu conseguia pagar o aluguel e encher a geladeira. Agora, com R$ 150, só consigo comprar duas sacolinhas. Ainda sobraram R$ 80, vou tentar conseguir passar o resto do mês.”, lamenta Tainá.


O que esperar de um governo que propõe às famílias brasileiras que sobrevivam com um auxílio médio de R$ 250,00? Essa medida é extremamente inviável pois, segundo o cálculo do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no início de 2021, uma cesta básica no Brasil custa em média R$ 551,00. Isto é, sem contar com os outros insumos essenciais para a subsistência. Portanto, o novo valor aplicado é incompatível com as necessidades dos brasileiros em situação de vulnerabilidade social.


Jefferson Mariano, professor de economia e doutor em desenvolvimento econômico pela Unicamp, disse em uma conversa com o jornal iG em julho de 2020 que “Evidentemente que é impossível pensar em manter um domicílio com o auxílio. Mas é uma questão de sobrevivência, e não de uma vida com mínimo de dignidade.” Na época da entrevista o auxílio equivalia ao valor de R$ 600,00, então se já era impossível sobreviver com aquele valor superior ao atual, imaginemos com o valor de R$ 175,00.


Além disso, os beneficiários do novo auxílio encontram dificuldades na hora de acessar o aplicativo digital “Caixa Tem” para receber a quantia, assim, complicando ainda mais a situação dos dependentes. Sem contar que a população em situação de rua, que necessita extremamente desse suporte, majoritariamente, não têm um dispositivo tecnológico, um celular, um tablet; para realizar o acesso e a solicitação do benefício.


É simplesmente inviável o custo de vida dos brasileiros atualmente, levando em consideração a alta inflação – visível através dos sucessivos aumentos de preços - e da pequena verba disponibilizada pelo governo para o auxílio emergencial. Mesmo aqueles que recebem um salário mínimo hoje, em sua maioria, têm de escolher se pagam o aluguel ou a alimentação. Falta dinheiro para sustentar as necessidades básicas, assim como falta um planejamento, e interesse, do Poder Público para a implementação de leis de suporte e incentivo. Contudo, ter o básico para sobreviver não é luxo, mas sim ter o mínimo de sua cidadania.


A falta de vacinas, o colapso no sistema de saúde e o aumento exponencial das mortes pela Covid-19, do desemprego e da fome é a soma das estratégias ordinárias que resultaram da falta de competência e da indiferença do Estado e Governo do Brasil. Portanto, as medidas propostas para sanar essas adversidades, não alcançaram, até hoje, a efetividade. Justamente por isso que a premissa de colocar a economia antes da cidadania, vem desmantelando o país. Falta estratégias cabíveis e pertinentes que mudem o cenário atual da população.




MELYSSA MARÇULO (Estudante de Comunicação e Redatora)

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There is no doubt that a lot of middle-class people lost their way of life during COVID. But the concept of emergency aid illuminated the possibility of paying rent and food simultaneously to alleviate such individuals' financial hardships. Now we must not let this concept die but try to keep it alive with the experts of Best PhD Dissertation Writing Services.

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Kaitlyn Dever
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25 Ιαν 2022

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Edgar Agar
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24 Ιαν 2022

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